Apresentação do Volume 5, Número 1 da JEiE, Edição Especial sobre Educação de Pessoas Refugiadas

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Tema(s):
Investigação e Evidências
Refugiados
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JEiE_Vol5No1_cover-imageTemos o prazer de anunciar a publicação do Volume 5, Número 1, da Journal on Education in Emergencies!

Nesta edição especial sobre educação de pessoas refugiadas, a primeira de duas partes, apresentamos exemplos de iniciativas de investigação sobre importantes desenvolvimentos no campo da educação de pessoas refugiadas em diferentes regiões e contextos.

Atualmente, contabilizando o maior número de pessoas deslocadas desde o rescaldo da Segunda Guerra Mundial, o mundo está a atravessar uma crise de pessoas refugiadas sem precedentes. Há atualmente 70,8 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, incluindo 25,9 milhões de pessoas refugiadas que cruzaram fronteiras internacionais e como tal legíveis para os sistemas de proteção de agências internacionais (UNHCR 2019).

O Volume 5, Número 1 da JEiE inclui quatro artigos de investigação, uma entrevista, duas notas de campo, e três recensões de livros - consulte a tabela de conteúdos abaixo. Destas contribuições emergem três temas centrais no estado atual da educação de pessoas refugiadas. Primeiro, a ênfase na importância da análise histórica enquanto método para entender melhor os esforços contemporâneos na área da educação de pessoas refugiadas. Segundo, a atenção dada às ações e decisões de organizações, professores, e burocracias, e como estes medeiam as experiências escolares de crianças e jovens refugiados. Terceiro, os esforços investidos nos artigos de investigação e notas de campo para melhor compreender o modo como os estados, organizações e instituições partilham a responsabilidade pela educação de pessoas refugiadas (Nações Unidas 2018).

Os autores que participam nesta edição descrevem e analisam os atores e estruturas que afetam a educação de pessoas refugiadas, assim como o conteúdo apresentado aos mesmos, no passado e presente. Ao fazê-lo, começam a desenredar estas questões essenciais sobre quem partilha a responsabilidade de atender a estas necessidades educativas e como o fazem, dois pontos fundamentais para os desenvolvimentos atuais na governaça global relativa a pessoas refugiadas, e que têm implicações imediatas e a longo prazo na forma como a educação de pessoas refugiadas é projetada e vivenciada. 

Volume 5, Número 1 da JEiE pode ser descarregado na íntegra, de forma gratuita, e todos os artigos, recensões e entrevistas em podcast com os autores estão acessíveis no site da INEE - https://inee.org/pt/journal.

Para mais informações sobre a Revista sobre EeE, visite o site da INEE.

Journal on Education in Emergencies, Volume 5, Número 1
Edição Especial sobre Educação de Pessoas Refugiadas, Parte 1

TABELA DE CONTEÚDOS

NOTA EDITORIAL
Sarah Dryden-Peterson, Jo Kelcey, e S. Garnett Russell

ARTIGOS DE INVESTIGAÇÃO SOBRE EDUCAÇÃO EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

“Incrivelmente Difícil, Tragicamente Necessário e Muito Interessante”: Lições do Programa Escolar do AFSC para pessoas Refugiadas Palestinas em Gaza, de 1949 a 1950 Jo Kelcey 

Este artigo examina um programa escolar operado pelo Comité de Serviços de Amigos Americanos (AFSC) para pessoas refugiadas palestinas em Gaza em 1949 e 1950. Com base em registos históricos de organizações envolvidas no esforço de ajuda mais amplo, ele examina porque o programa escolar foi criado e como funcionava, e considera as lições que ele oferece para os esforços contemporâneos de educação para pessoas refugiadas. Argumento que, embora o AFSC tenha adotado uma abordagem atípica da assistência humanitária que priorizou a educação desde o início da crise, o programa escolar desenvolvido foi invariavelmente limitado pelo paradigma humanitário abrangente em que operava. O financiamento para a educação era limitado, o que tornava as escolas vulneráveis a objetivos políticos concorrentes. Este artigo destaca a importância de entender a história da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente, a fim de entender o seu presente e informar os esforços de educação contemporânea para outras populações de pessoas refugiadas. O artigo destaca também a necessidade de uma avaliação crítica das tentativas de alinhar os programas de educação para pessoas refugiadas com os princípios de humanitarismo geralmente aceites.

“Perguntar "Porquê" e "Como"”: Uma Volta Histórica na Investigação sobre Educação de pessoas Refugiadas Christine Monaghan

A história tem muito a oferecer às e aos estudantes e profissionais da educação em situações de emergência (EeE). A maioria das investigações sobre EeE compreende estudos de caso qualitativos e, em menor grau, estudos experimentais quantitativos, ambos os quais tendem a concentrar-se no impacto das intervenções ou no facto dos processos ou estruturas educacionais serem a causa ou o efeito de conflito. Defendo que as abordagens históricas permitem que as e os investigadores façam diferentes perguntas para construir uma narrativa que estabeleça por que as políticas e os programas específicos para a educação das pessoas refugiadas que foram desenvolvidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados ou, especialmente, os campos ou assentamentos de pessoas refugiadas, e para determinar porque e como o campo mudou ao longo do tempo. Isto permite à/ao investigador considerar porque e como as mudanças políticas e programáticas muitas vezes não trouxeram mudanças duradouras aos desafios da educação para pessoas refugiadas, e considerar de forma crítica quais mudanças futuras poderiam ser possíveis. Neste artigo, defendo uma abordagem histórica das pesquisas em educação para pessoas refugiadas, fornecendo um exemplo da forma como utilizei métodos históricos para reconstruir a narrativa educacional dos campos de pessoas refugiadas de Dadaab e Kakuma no Quénia.

Os Encontros Burocráticos e a Procura de Acesso Educativo entre as pessoas Refugiadas Colombianas no Equador Diana Rodríguez-Gómez

A abordagem inovadora do Equador em relação à política social e à mobilidade humana reflete-se nas suas políticas de educação, especificamente as que dizem respeito ao acesso à escola. Conforme a noção constitucional de cidadania universal do Equador, os e as jovens não precisam ter diplomas académicos anteriores para entrar no equivalente ao ensino básico, independentemente do seu estatuto migratório. A determinação das notas é baseada num teste gratuito e todos os documentos de identificação que um futuro aluno e aluna fornecer são considerados oficialmente válidos e suficientes para a inscrição na escola. Apesar destas garantias constitucionais, as e os jovens refugiados ainda têm grandes dificuldades em matricular-se na escola no Equador. Com base em entrevistas semi-estruturadas com funcionários civis, funcionários de ONG e pessoas refugiadas colombianas realizadas em Quito, Equador, em 2013 e 2014, analiso como o acesso à escola para jovens refugiadas e refugiados colombianos é moldado pelas regras oficiais e não oficiais que regulam o sistema de educação formal. Situando a política como prática relativa ao trabalho diário da burocracia estatal, analiso como as funcionárias e os funcionários públicos e as pessoas refugiadas interpretam e promovem as políticas no seio da estrutura administrativa do estado. Argumento que, neste contexto, a apropriação da política educativa e, por conseguinte, o acesso à educação, são mediados pelo funcionamento da burocracia. Isto implica que as definições universais de acesso à escola obscurecem o carácter contingente e imprevisível do acesso educativo às pessoas refugiadas. Ao aprofundar-se nas múltiplas interpretações da política educativa, essa análise sugere que uma burocracia inconsistente tem o potencial de ampliar as desigualdades sociais entre as pessoas refugiadas.

Quando o Pessoal se Torna Profissional: Explorando as Experiências de Vida das Educadoras e dos Educadores Sírios Refugiados Elizabeth Adelman

Os professores e professoras desempenham um papel central no apoio aos alunos e alunas cujas vidas foram interrompidas pela crise, mas as professoras e professores que oferecem educação às e aos estudantes refugiados são eles próprios refugiados, na maior parte das vezes. Este artigo explora como ser professor e professora influencia a experiência de ser refugiado/a e, inversamente, como a experiência de ser refugiado/a influencia o papel do/a professor/a. Apresento retratos de dois educadores sírios que vivem como refugiados no Líbano que trabalham para educar os estudantes refugiados/as. Acho que estes dois educadores lutam para equilibrar as suas obrigações de ensino com a realidade de viver como refugiados. Enquanto estruturas globais retratam os educadores e educadoras de pessoas refugiadas como tendo o poder de preparar uma nova geração de estudantes sírios, estas e estes educadores sentem-se impotentes para transcender as barreiras sociais, económicas e políticas construídas em torno deles no Líbano. Nas suas vidas pessoais, estes educadores e educadoras lutam com a perda da esperança e a exaustão psicológica, mas, ainda assim, espera-se que projetem a esperança e a força psicológica na sala de aula. Enquanto as educadoras e os educadores acolhem a oportunidade de recuperar uma identidade profissional, o seu trabalho deixa-os, geralmente, com uma sensação de frustração e perda. Estes resultados apoiam a necessidade de melhorar o apoio oferecido aos professores refugiados e professoras refugiadas.

ENTREVISTA

Professores em Contextos de Deslocação Forçada: Desafios Persistentes e Práticas Promissoras nos Recursos, Qualidade e Bem-estar de Professores/as Mary Mendenhall, Sonia Gomez, e Emily Varni, entrevistadas por Ozen Guven

NOTAS DE CAMPO SOBRE EeE

“Aprendizagem Consciente”: Cuidados e Desenvolvimento na Primeira Infância para as Crianças Refugiadas na Tanzânia Kelsey A. Dalrymple

Esta nota de campo apresenta os resultados de uma avaliação realizada no programa Little Ripples, que foi pilotado com crianças com idades entre três e cinco anos, refugiadas do Burundi, na Tanzânia. O objetivo da avaliação foi compreender o progresso geral do programa, as atitudes e perceções sobre a utilização da atenção plena na sala de aula e os efeitos percebidos nos alunos e alunas e professores e professoras que participaram no projeto piloto. Esta nota de campo fornece uma visão geral da abordagem do programa Little Ripples; as lacunas que o programa visa solucionar nos serviços de emergência de atendimento e desenvolvimento na primeira infância; o conceito de consciência/ atenção plena e a sua utilização como ferramenta de ensino; a metodologia e os resultados da avaliação do programa Little Ripples; e as recomendações de caminhos a seguir. 

Acesso ao Ensino Superior: Reflexões sobre um Processo de Conceção Participativa com as pessoas Refugiadas Oula Abu-Amsha, Rebecca Gordon, Laura Benton, Mina Vasalou, e Ben Webster

As pessoas refugiadas enfrentam desafios significativos no acesso ao ensino superior. É claro que são necessárias soluções novas e diversas que compreendam e abordem as barreiras contextuais ao acesso do ensino superior às pessoas refugiadas. De acordo com as novas abordagens da comunidade humanitária em geral, que reconhecem o papel que as comunidades podem desempenhar na criação de novas soluções educativas, a nossa organização procurou empregar métodos de conceção participativa no desenvolvimento de um novo programa para apoiar o acesso ao ensino superior para pessoas refugiadas no Médio Oriente (principalmente na Jordânia e no Líbano). Esta nota fornece informações sobre a implementação do processo participativo e detalha o impacto que a abordagem participativa teve na conceção dos nossos programas. Finalmente, destacamos a necessidade de estratégias de recrutamento com o equilíbrio de género e refletimos sobre como o benefício da conceção do processo participativo beneficiou as os participantes e a organização iniciante.

RECENSÕES DE LIVROS

"Muslims, Schooling and Security: Trojan Horse, Prevent and Racial Politics" de Shamim Miah Aislinn O’Donnell

"International Perspectives on Teaching Rival Histories: Pedagogical Responses to Contested Narratives and the History Wars", editado por Henrik Åström Elmersjö, Anna Clark, e Monika Vinterek Rachel D. Hutchins

"Developing Community-Referenced Curricula for Marginalized Communities" de David Baine Caroline Ndirangu