Revista sobre Educação em Situações de Emergência

Chamada para apresentação de artigos - Edição especial sobre Género

Publicação prevista: Verão de 2021

Prazo final para submissão de trabalhos: 7 de dezembro de 2020

O género tem implicações importantes no acesso à educação, experiências, recursos e resultados (Unterhalter et al. 2014; Parkes et al. 2016). Estas implicações são tipicamente agravadas em ambientes afetados por conflitos e crises, dados os desafios únicos enfrentados por mulheres e raparigas, homens e rapazes. O Manual da INEE sobre Género (2019) descreve de que forma a igualdade de género na educação é frequentemente posta de lado durante as respostas humanitárias, assim como enquanto aspiração prioritária na busca por tempos mais estáveis. O conflito contribui para a desigualdade de género na educação a longo prazo (Omoeva, Hatch e Moussa, 2016), mas mesmo em tempos e áreas estáveis, a paridade de género está longe de ser alcançada. Os compromissos globais de apoio à educação de qualidade, segura, relevante e equitativa, como os dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030 (2015) e a Declaração Charlevoix sobre Educação de Qualidade para Meninas, Adolescentes e Mulheres nos Países em Desenvolvimento (2018) reforçam a necessidade de compreender a complexa relação entre as experiências de conflito e de crise e as necessidades e respostas educativas diferenciadas em função do género em situações de emergência.

O género e a educação estão ligados de várias formas ao longo das fases e dos tipos de conflitos e de crises. Os rapazes podem ser coagidos a juntar-se a forças de combate, enquanto as raparigas correm maior risco de casamento forçado, tráfico, gravidez precoce e violência sexual e baseada no género. As raparigas que vivem em países atingidos pela crise têm metade da probabilidade de se matricularem no ensino secundário em relação à média global, e maior probabilidade de não frequentarem a escola do que os rapazes (Plan International, 2019). Por cada 10 rapazes refugiados, há menos do que sete raparigas refugiadas na escola secundária (ACNUR, 2017). As preocupações com a segurança das raparigas que estão a transitar para a escola ou mudanças nas finanças das famílias podem resultar em manter as raparigas em casa e forçar os rapazes a trabalhar. As escolas também podem ser locais de violência de género, incluindo agressões homofóbicas e transfóbicas (UNESCO, 2018). Por outro lado, o nível de instrução está ligado a taxas mais baixas de casamento precoce e a um maior potencial de ganhos ao longo da vida (ACNUR, 2019). Ensinar e aprender que reconhecer as necessidades únicas de mulheres e raparigas, homens e rapazes pode promover a reconstrução e o desenvolvimento após um conflito, bem como programas de fortalecimento de apoio à proteção da criança, de saúde, nutrição, abrigo e projetos de saneamento.

A Revista sobre Educação em Situações de Emergência (Revista sobre EeE) procura propostas de artigos de investigação e de notas de campo para integrar uma edição especial sobre género e educação em situações de emergência. Esta edição procura aproveitar e desenvolver os conhecimentos existentes sobre género e educação em situações de emergência e construir novas evidências que expliquem a evolução do panorama sobre estes assuntos. A Revista sobre EeE receberá artigos de investigação de cariz teórico e empírico que analisem, avaliem, meçam, critiquem ou abordem qualquer aspeto de género e da educação em contextos de conflito ou de crise. Além disso, a Revista sobre EeE receberá com agrado a submissão de notas de campo que apresentem ferramentas ou abordagens inovadoras relacionadas com o género e a educação em situações de emergência, ou observações, debates e comentários sobre trabalhos de investigação. A Revista sobre EeE solicita também sugestões de livros sobre estes temas. Os assuntos de interesse incluem, mas não se limitam a:

  • A relação entre género e educação em cenários de conflito e de crise
  • Currículos, programas e materiais sensíveis às questões de género em cenários de conflito e de crise, tais como: conceção, desenvolvimento, contratação de pessoal, implementação, ministração do ensino e experiências de avaliação
  • Formação de professores e professoras sensíveis às questões de género e desenvolvimento profissional em situações de emergência
  • Observações ou reflexões sobre políticas, coordenação, ferramentas para a ministração do ensino e/ou programas que apoiem o cumprimento da Declaração Charlevoix sobre Educação de Qualidade para Meninas, Adolescentes e Mulheres nos Países em Desenvolvimento e outros compromissos globais de educação para a igualdade de acesso à educação de qualidade
  • Interligações entre desigualdade de género e desigualdade na educação em situações de emergência
  • Interligações entre os efeitos de determinadas experiências tendo por base o género das populações afectadas pela crise e com base noutras características (isto é, estado de grupo minoritário, etnia, religião, deficiência, classe social, etc.) das mesmas populações.
  • Questões de acesso baseado no género e representações de género no ensino superior e a transição da escola para o trabalho em contextos de conflito e de crise
  • LGBTQIA e experiências de género não-binário e respetiva representação entre as populações atingidas pela crise
  • Recolha e utilização de dados desagregados por sexo na educação em situações de emergência
  • Efeitos ou experiências de género na educação, relacionadas com a COVID-19 ou outras epidemias e emergências sanitárias

Reconhecendo o âmbito global destas questões, a Revista sobre EeE procura submissões de todas as regiões do mundo. No entanto, só os trabalhos originais escritos em inglês serão considerados para publicação neste momento. Caso seja falante de Língua Portuguesa e queira solicitar apoio para publicar em Inglês, por favor contacte-nos através do enderço de e-mail: [email protected].   

Todos os trabalhos originais estão sujeitos a um processo de dupla revisão anónima por pares e todos deverão incluir um resumo de 200 palavras. Os artigos de investigação devem conter 9.000 palavras ou menos, incluindo referências, e as submissões de notas de campo devem conter 4.000 palavras ou menos, incluindo referências. A formatação e as referências devem seguir o Manual de Estilo de Chicago, 16.ª edição.

O prazo para submeter os trabalhos originais é 7 de dezembro de 2020. A Revista sobre EeE reconhece que este é um momento extraordinário e que a pandemia da COVID-19 resultou na interrupção das rotinas diárias, do trabalho e dos projetos de investigação. Os cuidados às crianças, às pessoas idosas, o apoio à educação e outras responsabilidades domésticas recaem de forma desproporcional sobre as mulheres. Os autores e as autoras que necessitarem de tempo extra ou de ajustes adicionais para enviar um artigo para a edição especial não devem hesitar em contactar a redação através do e-mail [email protected].

Estão disponíveis mais informações destinadas às autoras e aos autores em: https://inee.org/pt/evidence/journal/information-for-authors.

Por favor, submeta os artigos através do PeerTrack, o sistema de submissão de artigos da Revista sobre EeE, em https://www.editorialmanager.com/jeie/default.aspx.