Afastar-se da linguagem que exclui e discrimina pessoas com deficiência no processo editorial da Revista sobre EeE (Revista sobre Educação em Situações de Emergência)

Publicado por
Rede Interinstitucional para a Educação em situações de Emergência (INEE)
Revista sobre Educação em situações de Emergência
Written by
Ruqaiyah Zarook
Publicado
Tópico(s)
Diversidade, Equidade e Inclusão
Educação Inclusiva - Deficiência
Inglês
Português

A Revista sobre Educação em Situação de Emergência (JEiE) eliminou a linguagem discriminatória, tal como "estudo cego" e "duplo-cego", das nossas declarações de política editorial no nosso site, das nossas comunicações com o Conselho Editorial da Revista sobre EeE e entre as e os membros da redação. Seguindo em frente, a Revista sobre EeE usará o termo “estudo anónimo” ou “duplamente anónimo” revelando imparcialidade no processo de revisão por pares.

Desde sempre, as pessoas com deficiências foram estigmatizadas e enfraquecidas devido à utilização de uma linguagem que exclui e discrimina pessoas com deficiência. Shelley Tremain, uma filósofa especializada em deficiência, argumenta numa mensagem sobre este tipo de “linguagem discriminatória e a associação filosófica” que usar a “revisão cega” pode ser humilhante porque “associa a cegueira à falta de conhecimento e implica que as pessoas cegas não podem ser conhecedoras.” Embora o termo “revisão cega” tenha passado a significar uma promessa de justiça e imparcialidade no processo editorial, as palavras podem marginalizar aqueles e aquelas com deficiência visual e fazer retroceder a maneira como o discurso sobre a deficiência passou a ser compreendido ao longo dos anos. Por outro lado, evitar uma linguagem que discrimina as pessoas com deficiência pode ter o efeito de tornar as publicações e as conferências mais acessíveis, inclusivas e confortáveis para as pessoas com deficiência visual.
 

Nós, na Revista sobre EeE, queremos garantir que os nossos processos editoriais sejam equitativos e incluam toda a diversidade humana. Assim como constatámos mudanças no uso da linguagem em torno de questões de raça, identidade de género e orientação sexual, será útil estarmos mais conscientes da forma como as metáforas baseadas na deficiência podem ser prejudiciais e examinar as nossas políticas em conformidade. Encorajamos, por conseguinte, as demais revistas e editoras académicas a adotarem as alternativas necessárias a uma linguagem que exclui e discrimina pessoas com deficiência no processo de exame e publicação por pares.
 

Para obter mais informações sobre o uso de linguagem discriminatória de pessoas com deficiência, consulte a mensagem no blogue da Rachel Ades,, “An End to Blind Review,”  [Um Fim para a Revisão Cega], em que explica de forma clara as razões para não usar o termo no campo editorial académico. O artigo de J. M. Rodas,“On Blindness,” [Sobre a Cegueira], que apareceu no Journal of Literary & Cultural Disability Studies, aprofunda o tema sobre como a utilização de uma linguagem que exclui e discrimina pessoas com deficiência, de uma forma mais ampla, molda a cultura popular. 

 

Ruqaiyah Zarook é um Assistente Editorial da Revista sobre a Educação em Situações de Emergência.

 

As opiniões expressas neste blogue são do/a próprio/a autor/a.